quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Durango Duarte

Quando o documento vira pesquisa: como o Instituto Durango Duarte reconstitui a história do Amazonas

O Instituto Durango Duarte transforma registros de jornais, documentos oficiais, imagens e depoimentos em livros e pesquisas sobre Manaus e o Amazonas. O acervo aborda desde praças e cinemas até a borracha, a Zona Franca e disputas políticas registradas na imprensa.
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Jornais antigos, fotografias, documentos oficiais e registros audiovisuais formam a base do trabalho do Instituto Durango Duarte (IDD), associação sem fins lucrativos criada em 15 de abril de 2016. A instituição organiza esse material e o transforma em livros, artigos e outras publicações sobre a história urbana, cultural, econômica e política de Manaus e do Amazonas.

O acervo acompanha mudanças na paisagem da capital, acontecimentos que marcaram diferentes gerações e episódios relacionados à formação da região. A proposta do instituto inclui preservar documentos, estimular a produção literária, apoiar pesquisas e ampliar o debate sobre temas regionais.

Documentos como ponto de partida

Na produção do IDD, a imprensa aparece em duas frentes: como fonte para investigar o passado e como objeto de estudo. Notícias sobre inaugurações, conflitos, obras, mudanças urbanas e acontecimentos cotidianos permitem reconstituir diferentes períodos da vida de Manaus.

A coleção 50 Anos Hoje organiza acontecimentos registrados nos jornais da cidade por ano. Na publicação dedicada a 1970, por exemplo, aparecem a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.

A reunião desses registros permite observar, em uma mesma sequência, transformações da cidade e episódios do cotidiano. Outros livros analisam momentos específicos da imprensa amazonense, como Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará.

Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a pesquisa se volta para as disputas ocorridas em 1958 e 1959. Nesse período, a publicação oficial do Estado foi utilizada como espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa. O tema relaciona a história institucional ao papel da comunicação na documentação dos conflitos de uma época.

As transformações da paisagem urbana

A trajetória de Manaus também é analisada a partir de seus espaços de convivência. O livro Praças históricas de Manaus, publicado em 2023, acompanha a história de 34 praças, incluindo locais que desapareceram.

A pesquisa recupera usos e configurações que já não podem ser observados diretamente nas ruas. A obra também amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado em Manaus, entre o passado e o presente, lançado em 2009.

O livro de 2009 foi escrito por Durango Duarte, empresário, publicitário, escritor e pesquisador que está à frente do instituto. A publicação funciona como um guia histórico e fotográfico da cidade e serviu de base para novas pesquisas sobre os espaços urbanos. Em 2012, ele lançou 343 Manaus, dedicado à apresentação visual e turística da capital.

Os lugares de cultura são abordados em outras obras. A Sétima Arte em Manaus, de 2017, trata da história das salas de cinema, da chegada de empresas exibidoras e dos festivais realizados na cidade. A produção sobre música inclui A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro.

Borracha, província e Zona Franca

Parte das pesquisas se concentra na formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a trajetória do ciclo da borracha e seus efeitos na história regional.

Já A Construção da Província do Amazonas, publicado em 2025, examina o período entre 1851 e 1859, após a separação do Grão-Pará. O livro aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.

A implantação da Zona Franca é tema de um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, com participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa, a publicação acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Memória estudantil e produção acadêmica

Algumas obras estão relacionadas à experiência do próprio pesquisador. Durango Duarte participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, foi dirigente de centros acadêmicos e conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.

Esse período aparece posteriormente em trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.

O instituto busca aproximar suas pesquisas da comunidade acadêmica e incentivar a produção de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Reuniões, palestras e cursos fazem parte das atividades, ao lado da organização de fontes históricas e do lançamento de publicações.

Acervo preservado e acesso às publicações

Segundo a entidade, sua biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais.

Esse conjunto não está disponível para consulta no momento. O público pode acessar os materiais publicados no portal do IDD, que concentra parte da produção desenvolvida pela instituição.

Ao organizar documentos e transformá-los em pesquisas, o Instituto Durango Duarte mantém registros sobre personagens, lugares e acontecimentos da história amazonense. A preservação do material sustenta novas publicações e amplia as possibilidades de leitura sobre as mudanças ocorridas em Manaus e na região.

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