As viagens de barco fazem parte da rotina de moradores e visitantes de Coari, no interior do Amazonas. Em uma região marcada por longos deslocamentos fluviais, rios extensos e comunidades acessíveis principalmente por água, a segurança dos passageiros depende tanto das condições da embarcação quanto da atenção de quem está a bordo.
Antes de embarcar, é importante verificar se a embarcação oferece condições adequadas de segurança, se há coletes salva-vidas em quantidade suficiente e se o transporte respeita a lotação autorizada. Durante o percurso, os passageiros devem seguir as orientações da tripulação, evitar comportamentos de risco e permanecer atentos às mudanças no tempo e nas condições de navegação.
Confira as condições da embarcação antes do embarque
O primeiro cuidado começa ainda no ponto de embarque. O passageiro não deve aceitar viajar em uma embarcação que apresente sinais evidentes de falta de manutenção, excesso de pessoas, dificuldade para acomodar a carga ou ausência de equipamentos básicos de segurança.
A lotação permitida deve estar indicada em local visível. Embarcações com passageiros acima da capacidade autorizada podem apresentar maior instabilidade e dificuldade de evacuação em caso de acidente. A Marinha do Brasil inclui a superlotação, a documentação irregular e a falta de equipamentos de segurança entre os problemas que podem contribuir para ocorrências na navegação. Orientações da Marinha sobre navegação segura.
Também é recomendável observar se os corredores, acessos e saídas estão desimpedidos. Bagagens, caixas e outros objetos não devem bloquear passagens nem impedir o acesso aos coletes, às boias, aos extintores ou às saídas de emergência.
Use corretamente o colete salva-vidas
O colete salva-vidas é um dos principais equipamentos de proteção para quem viaja de barco. Ele deve estar disponível em quantidade compatível com o número de pessoas a bordo, em local de fácil acesso e devidamente sinalizado. O equipamento não deve permanecer preso, amarrado ou guardado em compartimento de difícil abertura.
Antes da partida, a tripulação deve explicar como vestir o colete, onde os equipamentos estão guardados e quais são os procedimentos de abandono da embarcação. O passageiro deve prestar atenção à orientação e, se tiver dúvidas, pedir ajuda antes de o barco deixar o porto.
Em barcos menores, lanchas e voadeiras, o uso do colete durante todo o trajeto é uma medida especialmente importante. Crianças, idosos, pessoas com dificuldade de locomoção e passageiros que não sabem nadar devem receber atenção redobrada. Orientações da Marinha recomendam o uso obrigatório do equipamento por menores de 12 anos e maiores de 65 anos em determinadas operações de transporte de passageiros. Veja as recomendações da Capitania dos Portos.
O colete deve ser compatível com o peso e o tamanho do usuário. Depois de vestido, precisa estar ajustado ao corpo, sem folgas que permitam que a pessoa escape do equipamento caso caia na água.
Preste atenção à orientação da tripulação
A explicação de segurança realizada antes da saída não deve ser tratada como uma formalidade. É nesse momento que os passageiros podem identificar a localização dos coletes, das boias, dos extintores, das saídas e de outros recursos de emergência.
Também é importante saber quem é o responsável pela condução da embarcação e a quem recorrer em caso de necessidade. Durante a viagem, as instruções do comandante e da tripulação devem ser seguidas imediatamente, principalmente durante a saída, a aproximação do porto, a passagem por áreas estreitas e a navegação em condições de chuva ou vento forte.
Passageiros não devem se aproximar da casa de máquinas, do motor, de áreas técnicas ou de locais reservados à tripulação. Em embarcações com partes móveis expostas, cabelos, roupas, cordões e objetos soltos precisam ser mantidos afastados dos motores e dos equipamentos.
Evite ficar em áreas de risco
Durante o percurso, permaneça sentado ou em posição estável, especialmente quando o barco estiver em movimento. Evite mudanças bruscas de lugar, correria, brincadeiras nas laterais e qualquer atitude que possa alterar o equilíbrio da embarcação.
Não se apoie em bordas, corrimãos frágeis ou estruturas que não tenham sido projetadas para suportar o peso do passageiro. Também não é seguro sentar sobre a lateral do barco, subir em áreas externas ou tentar alcançar objetos na água.
Em embarcações de passageiros, o deslocamento deve ocorrer somente quando necessário e com autorização da tripulação. Crianças precisam ser acompanhadas de perto, sobretudo durante a aproximação ao porto, o desembarque e os momentos em que o barco atravessa trechos com maior movimento de água.
Tenha cuidado com bagagens e objetos pessoais
Bagagens devem ser acomodadas de forma a não bloquear corredores, portas, escadas e equipamentos de emergência. Malas, caixas e sacolas também não devem ser empilhadas em locais que prejudiquem a visibilidade do comandante ou da tripulação.
Objetos pequenos, como celulares, documentos, chaves e carteiras, precisam ser guardados com segurança. Em barcos abertos, o vento e a movimentação podem levar pertences para a água. Uma bolsa impermeável pode ajudar a proteger documentos, medicamentos, dinheiro e aparelhos eletrônicos.
Quem transporta medicamentos de uso contínuo deve mantê-los em uma embalagem protegida da umidade e de fácil acesso. Também é recomendável levar água potável, proteção contra chuva e sol, roupas adequadas e algum alimento para viagens prolongadas, sem deixar esses itens espalhados pela embarcação.
Observe as condições do tempo e do rio
Chuva intensa, ventos fortes, baixa visibilidade e mudanças rápidas nas condições do rio podem aumentar os riscos durante a viagem. A decisão de sair, permanecer no porto ou retornar para uma área abrigada deve considerar a segurança dos passageiros e a capacidade da embarcação.
O passageiro deve seguir a orientação do comandante quando houver suspensão, atraso ou alteração da rota por causa do tempo. Pressionar a tripulação para manter a viagem em condições desfavoráveis pode colocar todos a bordo em perigo.
Na Amazônia, o percurso pode incluir áreas com correnteza, bancos de areia, troncos, estruturas portuárias, comunidades ribeirinhas e outras embarcações. A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental já alertou comandantes sobre a necessidade de atenção redobrada em trechos críticos e nas proximidades de portos, residências flutuantes e margens dos rios. Confira o comunicado da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental.
Redobre a atenção durante embarque e desembarque
Grande parte dos riscos pode ocorrer quando o barco está atracando ou deixando o porto. O passageiro deve aguardar a autorização da tripulação para entrar ou sair e evitar saltos entre a embarcação e o cais.
Em locais com rampas, passarelas ou estruturas molhadas, caminhe devagar e use os corrimãos disponíveis. Crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida devem receber ajuda, mas o apoio precisa ser feito sem provocar desequilíbrio ou excesso de peso em um único ponto da passagem.
Não tente desembarcar enquanto o barco ainda estiver se movimentando. Em caso de dúvida, permaneça no lugar e espere a orientação dos tripulantes.
Planeje a viagem e informe o destino
Antes de sair, familiares ou pessoas de confiança devem saber qual é o destino, a previsão aproximada de chegada e o nome da embarcação, quando essa informação estiver disponível. Em deslocamentos mais longos, também é útil informar o ponto de partida, a rota prevista e quem está viajando.
O planejamento é importante porque os deslocamentos fluviais podem durar várias horas e nem sempre há sinal de telefonia em todo o percurso. O celular deve ser levado carregado e protegido da água, mas o passageiro não deve depender exclusivamente do aparelho para situações de emergência.
A Marinha disponibiliza o aplicativo NAVSEG para o registro e o acompanhamento de viagens em determinadas situações. O recurso pode transmitir a posição da embarcação aos órgãos de monitoramento quando utilizado conforme as orientações do sistema. Consulte as informações oficiais sobre o NAVSEG.
Cuidados com crianças, idosos e pessoas com deficiência
Passageiros que precisam de assistência devem ser identificados antes do embarque. A família ou o acompanhante deve informar à tripulação qualquer necessidade relacionada a mobilidade, uso de medicamentos, deficiência, gestação ou dificuldade para permanecer em pé.
Crianças devem ficar próximas dos responsáveis e nunca devem circular sozinhas pela embarcação. Durante a noite, em viagens de longa duração, é necessário manter atenção a escadas, pisos molhados e áreas com pouca iluminação.
Também é importante conferir se há condições adequadas de acesso e acomodação antes da compra da passagem. Quando o transporte exigir algum procedimento específico, a informação deve ser solicitada previamente à empresa ou ao responsável pela embarcação.
Não consuma álcool nem descarte lixo no rio
O consumo de álcool reduz a capacidade de julgamento e pode aumentar o risco de quedas, conflitos e desobediência às orientações da tripulação. Mesmo que o passageiro não esteja conduzindo o barco, a intoxicação pode dificultar uma resposta adequada em caso de emergência.
O lixo deve ser mantido a bordo e descartado em local apropriado. Plásticos, garrafas, embalagens e outros resíduos não devem ser lançados no rio. Além de prejudicar o ambiente, objetos descartados na água podem atingir hélices, margens, animais e comunidades ribeirinhas.
O que fazer em uma situação de emergência
Em caso de alarme, colisão, entrada de água, incêndio ou risco de naufrágio, mantenha a calma e siga as instruções do comandante. Vista o colete salva-vidas corretamente, afaste-se de áreas perigosas e não tente retornar para buscar objetos pessoais.
Se houver ordem de abandono, aguarde a orientação sobre a saída e evite empurrões. Crianças, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção devem receber prioridade e acompanhamento. Não pule na água sem orientação, a menos que permanecer na embarcação represente risco imediato e a tripulação determine o procedimento.
Em uma queda na água, procure manter o colete ajustado, economizar energia e permanecer visível para a embarcação ou para equipes de resgate. O grupo deve evitar se dispersar, sempre que isso puder ser feito com segurança.
Fiscalização e responsabilidade compartilhada
A segurança da viagem não depende apenas do passageiro. Proprietários, comandantes, tripulantes e empresas responsáveis pelo transporte devem manter a embarcação regularizada, cumprir a lotação autorizada, disponibilizar equipamentos de salvatagem e garantir que a tripulação esteja habilitada para a atividade.
Em ações de fiscalização na Amazônia Ocidental, a Marinha verifica, entre outros pontos, a localização dos coletes, as saídas de emergência, a quantidade de equipamentos, a lotação, a habilitação dos aquaviários e a documentação da embarcação. Veja os itens observados em fiscalizações da Marinha.
O passageiro que identificar uma situação claramente insegura deve comunicar o problema à empresa ou à tripulação e, quando necessário, procurar os canais oficiais da Autoridade Marítima. A prevenção começa antes do embarque e exige atenção durante todo o trajeto.
Em Coari, onde o transporte fluvial é essencial para a ligação entre comunidades e cidades, adotar cuidados simples pode fazer diferença. Usar o colete, respeitar a lotação, seguir a tripulação e evitar atitudes de risco são medidas fundamentais para tornar a viagem mais segura.