Os costumes de Coari fazem parte de uma identidade cultural construída por diferentes influências e pela relação cotidiana com os rios, os lagos, a floresta e as comunidades. No município amazonense, tradições indígenas, práticas ribeirinhas, religiosidade popular, festas, música, culinária e atividades ligadas à pesca aparecem tanto nas celebrações públicas quanto na rotina das famílias.
Conhecer esses costumes é uma forma de compreender como os moradores preservam memórias e transmitem conhecimentos entre gerações. Também ajuda quem visita a cidade ou participa de eventos locais a agir com respeito, valorizando as pessoas e os grupos responsáveis por manter essas manifestações vivas.
A cultura amazônica é formada pela contribuição de povos indígenas, europeus e africanos. Em Coari, essa combinação pode ser percebida na alimentação, nos utensílios, no artesanato, nas vestimentas, nos nomes de lugares, na linguagem, nas práticas de cuidado e no modo de viver. (fapeam.am.gov.br)
1. Festas populares e apresentações folclóricas
As festas populares estão entre as manifestações mais visíveis da identidade de Coari. Elas reúnem música, dança, figurinos, apresentações coletivas e participação comunitária. Além de divertir o público, os eventos funcionam como espaços de transmissão de histórias, símbolos e referências locais.
O Festival Folclórico Coariense ocupa lugar importante nesse calendário. Registros históricos indicam que a primeira edição foi realizada em 1972, com a participação de grupos de quadrilha, bois-bumbás e outras apresentações organizadas por estudantes e escolas. A iniciativa levou as manifestações culturais para espaços públicos e ampliou o envolvimento da população. (coari.net)
Ao longo do tempo, o festival passou a reunir diferentes categorias de danças e expressões culturais. Entre os elementos associados a esse tipo de celebração estão os trajes coloridos, as coreografias coletivas, as toadas, os personagens folclóricos e a preparação comunitária que antecede as apresentações.
Para quem deseja conhecer esse costume, o mais indicado é acompanhar a programação divulgada pelos canais oficiais do município e respeitar as regras de cada evento. Fotografar apresentações pode ser permitido, mas é recomendável pedir autorização quando o registro envolver artistas, crianças ou bastidores.
2. O boi-bumbá e a cultura dos grupos brincantes
O boi-bumbá é uma das manifestações folclóricas presentes na cultura de Coari. A apresentação combina música, dança, encenação, figurinos e participação de brincantes. O boi é conduzido por uma pessoa que realiza seus movimentos, enquanto os demais integrantes desenvolvem a narrativa e a coreografia.
Memórias registradas sobre a história do boi-bumbá em Coari apontam a existência de grupos e brincadeiras populares desde a primeira metade do século 20. Também há relatos de apresentações ligadas às festas juninas e de disputas de versos entre participantes de bois e cirandas. (coari.net)
O envolvimento com o boi-bumbá costuma começar antes do período festivo. Moradores participam da criação de músicas, ensaios, confecção de fantasias, organização dos grupos e preparação dos espaços. Por isso, a apresentação final representa apenas uma parte de um processo que envolve trabalho voluntário, memória familiar e colaboração entre vizinhos.
Ao acompanhar uma apresentação, é importante reconhecer que os personagens, as músicas e os símbolos têm significado para a comunidade. Comentários pejorativos sobre figurinos, sotaques ou modos de dançar podem desrespeitar uma tradição construída pelos próprios moradores.
3. Religiosidade popular e festas de santos
A religiosidade também participa da identidade cultural de Coari. As festas religiosas reúnem oração, música, novenas, procissões, encontros comunitários e manifestações de fé. Em muitos casos, moradores da cidade e de comunidades rurais se deslocam para participar das celebrações.
A Festa de São Sebastião é um dos exemplos estudados no município. Uma pesquisa realizada em Coari analisou o novenário e observou a influência da musicalidade, da culinária e da religiosidade na vida da população. O estudo também destacou o papel dessas festas na valorização da cultura cabocla e na afirmação da identidade amazônica. (fapeam.am.gov.br)
Na zona rural, a fé pode estar associada a histórias orais, promessas, imagens religiosas e lugares considerados especiais pelos moradores. Um artigo acadêmico sobre a comunidade Terra Preta, em Coari, estudou o chamado “Corpo Santo”, uma manifestação de religiosidade popular marcada por narrativas, registros materiais e práticas comunitárias. (periodicos.ufpb.br)
Quem participa de uma celebração religiosa deve observar o caráter sagrado do momento. Durante missas, novenas, procissões e rituais, é recomendável evitar interrupções, respeitar os espaços de oração e pedir autorização antes de fotografar objetos de devoção ou pessoas em momentos de fé.
4. A relação com os rios, lagos e comunidades ribeirinhas
A vida em Coari está relacionada à presença da água e às formas de deslocamento, trabalho e convivência desenvolvidas nas comunidades. Rios, lagos e igarapés não são apenas paisagens: fazem parte da rotina, da alimentação, da economia familiar e das referências afetivas de muitos moradores.
Essa relação aparece em hábitos como o uso de embarcações, a organização dos horários conforme as condições de navegação, a pesca e o conhecimento sobre os ciclos das águas. Em comunidades ribeirinhas, saber identificar caminhos, mudanças no nível dos rios, áreas de pesca e condições do tempo pode ser uma habilidade transmitida dentro das famílias.
A presença da pesca na cultura local também pode ser observada em eventos comunitários. A Festa do Jaraqui, realizada na Vila do Itapéua, reuniu atividades culturais, esportivas e gastronômicas, além de uma disputa do maior peixe. A programação foi apresentada pela prefeitura como uma forma de valorizar a tradição e destacar a importância da pesca para a identidade e a subsistência da comunidade. (prefeitura.coari.am.gov.br)
Para visitantes, conhecer comunidades ribeirinhas exige planejamento e respeito. É importante combinar previamente a visita, seguir as orientações dos moradores, não retirar objetos ou materiais da natureza e evitar deixar lixo. Também é necessário compreender que o modo de vida comunitário não deve ser tratado apenas como atração turística.
5. Culinária e ingredientes do cotidiano
A alimentação é outro costume que ajuda a reconhecer a cultura de Coari. Em comunidades amazônicas, receitas e técnicas culinárias costumam estar ligadas à disponibilidade de peixes, mandioca, frutas, ervas e outros produtos regionais. O preparo dos alimentos pode reunir conhecimentos sobre conservação, aproveitamento dos ingredientes e organização do trabalho doméstico.
A influência indígena na cultura coariense é apontada em registros locais como parte da formação da culinária, dos utensílios, do artesanato e de outros hábitos. Essa herança não significa que exista uma única forma de cozinhar ou de se alimentar: as receitas variam conforme a família, a comunidade, a época do ano e os produtos disponíveis. (coari.net)
Experimentar pratos regionais pode ser uma maneira de conhecer a cultura, desde que isso seja feito com respeito aos hábitos locais. Quem tem restrições alimentares deve perguntar sobre os ingredientes e o modo de preparo. Também é recomendável valorizar produtores, cozinheiras, feirantes e pequenos comerciantes que mantêm essas receitas em circulação.
6. Artesanato, utensílios e conhecimentos tradicionais
O artesanato reúne saberes relacionados ao uso de fibras, madeira, sementes, barro e outros materiais. As peças podem ter função decorativa, doméstica ou utilitária. Em muitos casos, a técnica é ensinada dentro da família e aperfeiçoada pela prática.
Fontes sobre a formação cultural de Coari citam a presença indígena em utensílios domésticos, artesanato, vestimentas, linguagem e práticas de cuidado. Também há referências históricas à produção de cerâmica por povos indígenas que viviam na região. (coari.net)
Ao comprar uma peça artesanal, o consumidor pode perguntar quem produziu o objeto, quais materiais foram utilizados e como a técnica foi aprendida. Essa atitude ajuda a reconhecer o trabalho do artesão e evita reduzir uma manifestação cultural a um simples souvenir.
Também é importante não retirar matéria-prima de áreas naturais sem autorização e não apresentar como artesanal uma peça industrializada. A valorização da cultura depende da remuneração justa e do reconhecimento de quem detém o conhecimento.
7. Memória oral e transmissão entre gerações
Histórias contadas por moradores mais velhos, lembranças de festas, nomes de lugares, cantigas, receitas e relatos de viagens ajudam a preservar a memória de Coari. Muitas informações sobre costumes locais não estão reunidas em um único documento e continuam sendo transmitidas pela convivência.
A pesquisa sobre o “Corpo Santo” em Terra Preta, por exemplo, utilizou entrevistas, registros fotográficos e relatos de moradores para compreender uma manifestação religiosa presente na zona rural do município. O trabalho mostra como a história oral pode registrar experiências que fazem parte da vida comunitária. (periodicos.ufpb.br)
Famílias, escolas, grupos culturais e instituições de pesquisa podem contribuir para esse processo ao registrar depoimentos com autorização, identificar as pessoas entrevistadas e preservar fotografias, músicas e documentos. O registro deve respeitar a vontade dos participantes e não expor informações privadas ou sagradas sem consentimento.
Como conhecer e valorizar os costumes de Coari
- Consulte a programação cultural divulgada por órgãos públicos e grupos comunitários.
- Participe das festas respeitando horários, regras, espaços religiosos e orientações dos organizadores.
- Valorize artistas, artesãos, cozinheiras, pescadores e produtores locais.
- Peça autorização antes de fotografar pessoas, rituais, crianças ou objetos de devoção.
- Evite tratar comunidades ribeirinhas como cenário ou atração exótica.
- Não retire peças, sementes, plantas, objetos históricos ou materiais de áreas comunitárias.
- Leve o lixo de volta e ajude a preservar rios, lagos, praias e espaços de festa.
- Prefira informações de moradores, pesquisadores, instituições culturais e canais oficiais.
Os costumes de Coari não estão restritos a uma festa ou a uma data do calendário. Eles aparecem no modo de preparar a comida, na relação com a água, na fé, na música, na pesca, no artesanato e nas histórias contadas entre gerações. Conhecer essas práticas exige atenção para a diversidade interna do município e respeito às pessoas que mantêm cada tradição.
Mais do que observar manifestações culturais, o visitante pode contribuir para sua continuidade ao consumir de forma responsável, ouvir os moradores e reconhecer o valor dos conhecimentos locais. Assim, a cultura coariense é compreendida não como uma lembrança do passado, mas como um patrimônio vivo, recriado no cotidiano das comunidades.