Os rios e lagos de Coari fazem parte da rotina de moradores, trabalhadores e visitantes. Eles são usados em deslocamentos, pescarias, passeios, atividades de lazer e acesso a comunidades. Para aproveitar esse ambiente com segurança, porém, é necessário considerar as mudanças no nível da água, a força da correnteza, a circulação de embarcações e as condições do tempo.
A prevenção começa antes da saída. Conferir a embarcação, levar equipamentos adequados, informar o destino a alguém de confiança e evitar comportamentos de risco são medidas simples que podem reduzir a possibilidade de acidentes. O cuidado é importante tanto para quem conduz barcos e voadeiras quanto para passageiros e pessoas que entram na água.
Planeje o passeio antes de sair
O primeiro passo é definir o trajeto, o horário de retorno e o número de pessoas que estarão a bordo. Em áreas pouco conhecidas, é recomendável buscar informações com moradores experientes ou condutores que conheçam o trecho, especialmente quando há mudanças sazonais no nível dos rios, bancos de areia, troncos submersos e canais estreitos.
Também é importante consultar a previsão do tempo e observar sinais de chuva forte, ventos intensos e tempestades. A navegação deve ser adiada quando as condições forem desfavoráveis ou quando o condutor não tiver segurança para enfrentar o percurso. Em caso de dúvida, a decisão mais prudente é não sair.
O responsável pelo passeio deve informar a uma pessoa que permanecerá em terra o destino previsto, o horário aproximado de retorno e os nomes dos passageiros. Essa informação pode facilitar a localização do grupo se houver atraso, pane ou mudança de rota.
Use colete salva-vidas durante toda a navegação
O colete salva-vidas deve ser adequado ao tamanho e ao peso de cada pessoa, estar em bom estado e ser usado durante todo o deslocamento, não apenas quando o barco apresenta problemas. Crianças, idosos, pessoas que não sabem nadar e passageiros com mobilidade reduzida exigem atenção especial.
Boias infláveis, câmaras de ar e outros objetos improvisados não substituem o colete homologado. Esses itens podem não manter a pessoa em posição segura na água e ainda podem se afastar rapidamente em caso de queda.
Antes de embarcar, confira se existe um colete disponível para cada passageiro e se as fivelas e tiras estão funcionando. A Marinha do Brasil orienta que as embarcações tenham coletes em quantidade suficiente para todos os ocupantes e que o material de salvatagem seja vistoriado antes da saída.
Verifique as condições da embarcação
Uma inspeção rápida pode identificar problemas que, na água, se transformariam em uma emergência. O casco deve ser examinado para verificar possíveis vazamentos, assim como o motor, o sistema de combustível, a bateria e os equipamentos de comunicação.
O condutor também deve confirmar se há combustível suficiente para o percurso e uma reserva para eventuais mudanças de rota. Remo, lanterna, cordas, balde para retirada de água, kit básico de primeiros socorros e meios de comunicação podem ser úteis em uma situação inesperada.
Embarcações maiores ou utilizadas com frequência precisam passar por manutenção preventiva. Improvisos em peças, fiação, combustível ou equipamentos de segurança aumentam o risco de pane, incêndio e perda de controle. A orientação oficial é realizar os reparos com profissionais capacitados e manter os documentos exigidos em ordem.
Respeite a lotação e o equilíbrio do barco
A lotação máxima não deve ser ultrapassada. O excesso de pessoas altera o equilíbrio da embarcação, reduz a estabilidade e pode facilitar a entrada de água. Bagagens, caixas térmicas e equipamentos de pesca também precisam ser distribuídos de forma equilibrada.
Durante a navegação, os passageiros devem permanecer sentados ou em posições estáveis, sem se concentrar em um único lado do barco. Não é seguro subir na borda, ficar em pé sem necessidade, trocar de lugar de maneira brusca ou se deslocar para a proa enquanto a embarcação estiver em movimento.
O condutor deve manter atenção permanente ao trajeto. O uso de celular, conversas prolongadas e outras distrações podem impedir a identificação de troncos, embarcações, margens, redes de pesca e mudanças na profundidade.
Álcool e direção não combinam
O consumo de bebidas alcoólicas compromete os reflexos, a avaliação de distância e a capacidade de tomar decisões. Na água, esses efeitos são agravados pela instabilidade da embarcação, pela exposição ao sol e pela dificuldade de pedir ajuda em locais afastados.
Quem conduz a embarcação deve permanecer sóbrio antes e durante todo o trajeto. A mesma recomendação vale para quem participa de atividades como natação, mergulho, pesca em áreas escorregadias e uso de equipamentos aquáticos.
O condutor também precisa conhecer o trecho e possuir a habilitação exigida para a atividade. A Carteira de Habilitação de Amador é o documento destinado a quem opera embarcações de esporte e recreio, conforme as regras da Autoridade Marítima.
Tenha cuidado ao entrar na água
Rios e lagos podem apresentar profundidade irregular, correnteza, pedras, galhos e objetos submersos. Por isso, não é seguro mergulhar de cabeça em local desconhecido. A pessoa pode sofrer lesões graves ao atingir o fundo ou algum obstáculo.
Antes de nadar, observe as condições do local e evite áreas próximas a motores, hélices, canais de navegação, portos, embarcadouros e trechos com tráfego intenso. O ideal é escolher pontos conhecidos, com acesso fácil à margem e presença de outras pessoas.
Crianças devem permanecer sob supervisão direta de um adulto, mesmo quando usam colete. A supervisão não deve ser delegada a outra criança nem substituída por dispositivos eletrônicos. Em caso de cansaço, frio, mal-estar ou mudança repentina do tempo, a atividade deve ser interrompida.
Também é necessário evitar a entrada na água durante ou logo após chuvas fortes. A chuva pode aumentar a correnteza, reduzir a visibilidade e provocar a descida de galhos e outros materiais pelo rio.
Atenção às mudanças do nível dos rios
O nível dos rios e lagos da região pode variar ao longo do ano. A cheia modifica os acessos, encobre caminhos, altera a posição de obstáculos e pode aproximar a água de áreas habitadas. Na vazante, bancos de areia, pedras e trechos rasos podem surgir em locais que antes eram navegáveis.
Em 2 de junho de 2025, a Prefeitura de Coari decretou situação de emergência em razão da cheia que atingia o município, com alagamentos na área urbana e em comunidades rurais. O episódio mostra por que os moradores devem acompanhar comunicados da Defesa Civil e das autoridades locais antes de sair para áreas ribeirinhas.
O nível da água, porém, não é o único fator de risco. A velocidade da correnteza, a visibilidade, o vento e a presença de obstáculos também precisam ser considerados. Uma rota habitual pode apresentar condições diferentes depois de uma chuva intensa ou de uma mudança significativa no rio.
Navegue com distância segura das áreas de banho
Em regiões frequentadas por banhistas, o condutor deve reduzir a velocidade e manter distância segura das pessoas na água. A passagem próxima de uma embarcação pode provocar ondas, assustar quem está nadando e aumentar o risco de colisões.
A Marinha do Brasil orienta que embarcações respeitem as limitações de navegação próximas a praias, canais, lagos, lagoas e rios. O deslocamento entre a margem e a área de navegação deve ser feito com baixa velocidade e atenção redobrada.
É importante evitar manobras bruscas, ultrapassagens arriscadas e circulação em locais sem visibilidade. À noite, a navegação exige equipamentos adequados e conhecimento das regras aplicáveis. Quando a embarcação não tiver condições de operar com segurança no período noturno, o passeio deve terminar antes do anoitecer.
Saiba como agir em caso de queda na água
Se alguém cair da embarcação, o condutor deve reduzir ou desligar o motor conforme a situação, manter a vítima à vista e lançar um equipamento flutuante. Os demais passageiros devem permanecer calmos e seguir as orientações de quem estiver comandando o resgate.
Não é recomendável que uma pessoa sem treinamento pule na água para tentar salvar outra. O impulso pode levar a um segundo afogamento. Sempre que possível, o socorro deve ser feito a partir da embarcação ou da margem, usando uma corda, boia, remo ou outro objeto que permita alcançar a vítima sem contato direto.
Se houver risco imediato à vida, acione o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Em situações de crime ou violência, a Polícia Militar pode ser chamada pelo 190. Ao pedir ajuda, informe a quantidade de vítimas, o ponto de referência, o sentido da correnteza e as características da embarcação.
Preserve o ambiente e mantenha o rio limpo
A segurança também está relacionada à preservação dos rios. Lixo, garrafas, linhas de pesca e restos de combustível podem causar acidentes, ferir animais e prejudicar as comunidades que dependem da água.
Todo resíduo produzido durante o passeio deve retornar com o grupo para ser descartado corretamente. O abastecimento da embarcação precisa ser feito com cuidado para evitar derramamentos. Também é importante não lançar produtos químicos, óleo ou combustível diretamente na água.
Pesca, caça e acesso a áreas protegidas devem respeitar a legislação ambiental. Quando houver dúvida sobre regras específicas, o responsável deve buscar orientação dos órgãos ambientais e das autoridades locais antes da atividade.
Checklist antes de sair de Coari
- Confira a previsão do tempo e as condições do trajeto.
- Informe a alguém de confiança o destino e o horário estimado de retorno.
- Use colete salva-vidas adequado durante toda a navegação.
- Verifique casco, motor, combustível, bateria e equipamentos de comunicação.
- Respeite a lotação e distribua passageiros e bagagens de maneira equilibrada.
- Não conduza sob efeito de álcool ou medicamentos que reduzam a atenção.
- Evite mergulhos em locais desconhecidos e mantenha crianças sob supervisão direta.
- Reduza a velocidade em áreas de banho, margens e trechos com pouca visibilidade.
- Leve lanterna, corda, remo, kit de primeiros socorros e material flutuante.
- Retire o lixo e não descarte combustível, óleo ou outros resíduos na água.
Aproveitar os rios de Coari com segurança depende de decisões tomadas antes e durante o passeio. O colete salva-vidas, a manutenção da embarcação, o respeito às condições do rio e a preparação para emergências formam a base de uma navegação responsável. Com planejamento e atenção, moradores e visitantes podem utilizar os rios para lazer e deslocamento sem transformar uma atividade cotidiana em uma situação de risco.