sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Municípios do Amazonas

Anamã reúne 22 comunidades e indicadores que ajudam a explicar sua organização territorial

Dados históricos, territoriais e socioeconômicos mostram como Anamã se formou entre antigos seringais, comunidades tradicionais e a influência dos rios sobre a vida municipal.

Anamã, no Amazonas, tem uma formação marcada pela presença dos rios, pela memória dos seringais e pela existência de comunidades ribeirinhas e indígenas. A organização do território combina uma sede urbana sujeita às cheias, áreas rurais e localidades distribuídas em uma extensão de 2.382,521 km².

O município está localizado a oeste de Manaus e integra a Região Geográfica Imediata de Manacapuru e a Região Geográfica Intermediária de Manaus. Agricultura, pesca, extrativismo e formas tradicionais de ocupação ajudam a explicar tanto a economia quanto a identidade de Anamã.

Um território formado por sede urbana e comunidades

Segundo a descrição municipal, Anamã faz divisa com Anori ao norte e a oeste, Beruri ao sul e Manacapuru a leste. O clima é equatorial, quente e úmido, enquanto o ambiente fluvial influencia a circulação, a produção e a distribuição das comunidades.

A página de dados gerais da Prefeitura de Anamã relaciona 22 comunidades, embora não informe o ano de referência dessa contagem. Entre os nomes citados estão Arixi, Cuia, Novo Brasil, Mato Grosso e Nossa Senhora de Nazaré.

Também aparecem São José e Eware, identificadas como comunidades Tikuna, além de Bom Jesus, Nova Esperança e Santa Luzia, relacionadas ao povo Kokama, na Ilha do Camaleão. A presença dessas localidades mostra que a história e a vida social do município não se restringem à sede administrativa.

Essas comunidades participam da construção da identidade local por meio de diferentes formas de organização social, conhecimentos e práticas produtivas. A relação com os rios, nesse contexto, ultrapassa a questão da circulação e está ligada à ocupação do território e ao cotidiano dos moradores.

Da exploração da borracha à emancipação

O histórico publicado pela prefeitura menciona a presença de fazendeiros na região antes de 1843 e associa a formação dos primeiros núcleos de moradores à procura por terras férteis e seringais. Outra etapa do povoamento é situada por volta de 1936, quando antigos seringueiros provenientes do Acre chegaram à área.

A memória municipal também registra as denominações populares Alto Seringal, relacionada à exploração da borracha, e Princesa de Anori, usada por moradores na década de 1960. Esses nomes fazem parte da trajetória local, embora não correspondam necessariamente a denominações administrativas oficiais.

A emancipação de Anamã ocorreu em 1981, por meio da Emenda Constitucional estadual nº 12, com o desmembramento de Anori. De acordo com o histórico municipal, Sebastião Pacheco Teles, então vereador de Anori, participou desse processo e venceu as primeiras eleições municipais, realizadas em 1982.

O aniversário oficial é celebrado em 31 de janeiro. A data foi estabelecida pela Lei Municipal nº 298, de 26 de setembro de 2017, e passou a integrar o calendário de referências administrativas e da memória coletiva do município.

O nome Anamã e os registros em nheengatu

A origem do nome também está associada à história linguística da Amazônia. A prefeitura apresenta uma pesquisa de Ivany Jamys Ferreira Régis que relaciona Anamã ao nheengatu, língua de base tupi historicamente utilizada na região.

O estudo recupera registros do vocabulário de Ermanno Stradelli, publicado em 1928. Entre os sentidos encontrados estão “espesso”, “desmamado” e uma denominação de marreca. A variedade de significados não permite estabelecer uma tradução única nem afirmar, sem documentação adicional, que a escolha do nome tenha decorrido especificamente da vegetação ou de bebidas indígenas.

População e indicadores do município

O painel Cidades e Estados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registra 9.962 habitantes em Anamã no Censo de 2022. A densidade demográfica indicada para o mesmo ano é de 4,07 habitantes por quilômetro quadrado.

O painel apresenta população estimada de 9.981 habitantes para 2026. A diferença em relação ao Censo de 2022 é de 19 pessoas, ou aproximadamente 0,19%, quando se compara a estimativa com a contagem censitária.

O indicador de escolarização de pessoas de 6 a 14 anos aparece em 97,93%, com referência a 2022. Esse dado mede a matrícula ou a frequência escolar no indicador utilizado, mas não corresponde a uma avaliação da aprendizagem.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,594, segundo o valor de 2010 apresentado pelo IBGE. O índice está na faixa de baixo desenvolvimento humano e não deve ser interpretado como uma medição atualizada das condições do município, já que sua referência é anterior.

Também constam no painel mortalidade infantil de 11,36 óbitos por mil nascidos vivos em 2025 e Produto Interno Bruto (PIB) por habitante de R$ 15.528,45 em 2023. A mortalidade infantil precisa ser observada em série histórica para permitir a análise de tendências, enquanto o PIB por habitante representa uma média da produção econômica, e não a renda individual da população.

Na área fiscal, o IBGE registra receitas brutas realizadas de R$ 104.407.370,57 e despesas brutas empenhadas de R$ 85.950.030,37, ambas com referência a 2025. Os valores se referem às categorias apresentadas no painel municipal.

Agricultura, pesca e possibilidades de turismo

A agricultura e a pesca aparecem entre as principais bases econômicas de Anamã. A estrutura da prefeitura inclui a Secretaria de Produção Rural e Abastecimento, responsável por atribuições relacionadas à agricultura familiar, à pecuária, à pesca artesanal e ao extrativismo sustentável.

Entre as funções do órgão estão o apoio técnico, o acesso a crédito e o incentivo ao associativismo, conforme a descrição da estrutura municipal. Essas atividades se relacionam às características de um território em que comunidades rurais e ribeirinhas ocupam papel relevante.

O ambiente aquático também aparece como possibilidade para o turismo. A Amazonastur destaca áreas para banho e cita os lagos Membeca e Patuá como locais para pesca esportiva. As informações identificam atrativos naturais, mas não apresentam número de visitantes nem estimativa da participação do turismo na economia de Anamã.

Cheias fazem parte do planejamento municipal

A relação com os rios impõe adaptações à rotina da cidade. Durante grandes cheias, áreas urbanas ficam inundadas e os moradores alteram as formas de deslocamento. Reportagens registram o uso de canoas em ruas tomadas pelas águas.

Em 9 de junho de 2025, o Governo do Amazonas homologou situação de emergência em Anamã por meio do Decreto nº 51.871. O documento apontou inundações provocadas pela elevação dos rios Solimões e Anamã, com danos materiais, ambientais, econômicos e sociais em áreas urbanas e rurais.

A estrutura municipal de Defesa Civil prevê o monitoramento de áreas de risco, o planejamento preventivo, a assistência às famílias e a atenção às cheias periódicas do Solimões. Essas atribuições incorporam o regime das águas à organização urbana e à continuidade dos serviços públicos.

Em Anamã, a memória dos seringais, a presença de comunidades tradicionais e indígenas, a produção rural e a pesca permanecem associadas à paisagem fluvial. Os dados históricos e socioeconômicos mostram um município cuja organização depende de considerar, ao mesmo tempo, a extensão territorial, a dispersão das localidades e a influência dos rios sobre a vida cotidiana.