terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante o período de chuvas em Coari

Durante o período de chuvas em Coari, cuidados com água, alimentos, limpeza, criadouros de mosquitos e contato com lama ajudam a reduzir riscos à saúde. Saiba quais sinais exigem atendimento médico.

O período de chuvas exige atenção redobrada com a saúde em Coari. O aumento da umidade, a formação de poças, os alagamentos e o contato com lama podem favorecer a transmissão de doenças, a proliferação de mosquitos, a contaminação de alimentos e a ocorrência de acidentes dentro e fora de casa.

As principais medidas de prevenção envolvem evitar o contato com água de enchentes, utilizar água segura para consumo, eliminar recipientes que acumulem água, reforçar os cuidados durante a limpeza dos imóveis e observar sintomas que apareçam após a exposição à chuva, à lama ou a ambientes úmidos. As orientações são especialmente importantes para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Segundo o Ministério da Saúde, enchentes e inundações podem aumentar o risco de leptospirose, tétano, hepatite A, doenças diarreicas e acidentes com animais peçonhentos. A recomendação é seguir as orientações das autoridades locais e procurar atendimento diante de sinais de agravamento. (gov.br)

Evite o contato com água de enchentes e lama

A água acumulada após chuvas fortes pode conter esgoto, lixo, produtos químicos, microrganismos e urina de ratos. Mesmo quando a água parece limpa, não é possível confirmar sua segurança apenas pela aparência. Por isso, a orientação é evitar atravessar áreas alagadas, especialmente quando houver correnteza, buracos, fios elétricos, bueiros ou obstáculos escondidos.

Crianças não devem brincar ou nadar em água de enchente, de igarapés transbordados, valas ou outros locais que possam ter sido contaminados. Pessoas que precisarem entrar em áreas alagadas para retirar objetos ou realizar limpeza devem usar botas e luvas impermeáveis. Quando esses equipamentos não estiverem disponíveis, o Ministério da Saúde orienta o uso de proteção improvisada com sacos plásticos duplos, bem ajustados às mãos e aos pés, como medida emergencial.

Ferimentos na pele aumentam a possibilidade de entrada de bactérias. Cortes, arranhões e perfurações devem ser lavados com água limpa e sabão. Se houver contato com lama ou água contaminada, a pessoa deve observar o surgimento de sintomas nos dias seguintes e informar essa exposição ao profissional de saúde.

Leptospirose é um dos principais riscos

A leptospirose é uma infecção causada pela bactéria Leptospira, geralmente eliminada na urina de ratos e de outros animais infectados. Em períodos de chuvas intensas, a urina pode se misturar à água de enchentes, à lama e ao esgoto. A bactéria pode entrar no organismo por ferimentos, pela pele que permanece imersa por muito tempo ou pelas mucosas.

Os sintomas podem surgir entre um e 30 dias após a exposição, embora o intervalo mais comum seja de sete a 14 dias. Febre, dor de cabeça, dor muscular — especialmente nas panturrilhas —, fraqueza, vômitos e diarreia estão entre os sinais possíveis. Quadros graves podem provocar olhos e pele amarelados, alterações renais, sangramentos e dificuldades respiratórias.

A leptospirose pode apresentar sintomas semelhantes aos de dengue e de outras doenças febris. Por isso, quem teve contato com água de enchente, lama ou esgoto e depois apresentou febre ou dores no corpo deve procurar uma unidade de saúde e relatar a situação. O tratamento depende de avaliação profissional, e a automedicação não é recomendada. (gov.br)

Água para beber deve ser tratada

Durante ou depois de alagamentos, a rede de abastecimento, poços, caixas-d’água e recipientes domésticos podem ser afetados. A água destinada ao consumo deve ser potável, filtrada, fervida ou tratada conforme a orientação das autoridades de saúde.

Não devem ser consumidos alimentos que tenham entrado em contato com água de enchente ou lama, incluindo produtos embalados, enlatados, frutas, verduras e alimentos perecíveis. Também é importante descartar itens que apresentem embalagem danificada, sinais de contaminação ou tenham permanecido fora da refrigeração por tempo desconhecido.

Utensílios, superfícies e reservatórios atingidos pela água contaminada precisam ser lavados e desinfetados antes de voltar a ser usados. A população deve seguir a concentração e o tempo de contato indicados pelas autoridades sanitárias para cada finalidade. Água sanitária não deve ser adicionada diretamente à água ou aos alimentos para consumo sem orientação específica sobre produto, concentração e quantidade.

Limpeza da casa exige proteção

A limpeza de imóveis atingidos por água ou lama deve ser feita somente quando não houver risco estrutural, elétrico ou de desabamento. Antes de entrar, é necessário verificar se há fios expostos, tomadas molhadas, animais escondidos, vidros, pregos e outros objetos cortantes.

O uso de botas, luvas, calças compridas e camisa de manga longa ajuda a reduzir o contato com contaminantes. A lama deve ser removida com cuidado, sem levantar poeira. Depois, pisos, paredes e objetos atingidos precisam ser lavados e desinfetados de acordo com as recomendações dos órgãos de saúde.

Não se deve tocar em animais encontrados em entulhos, dentro de móveis, caixas, sapatos ou locais secos. Cobras, escorpiões e aranhas podem procurar abrigo em residências após chuvas e inundações. Mesmo que o animal pareça morto, o contato deve ser evitado. A orientação é afastar pessoas e animais domésticos e acionar o serviço público responsável pela remoção.

Combate ao mosquito deve continuar após a chuva

A chuva pode deixar recipientes, calhas, pneus, garrafas, baldes, lonas e outros objetos com água parada. Esses pontos podem se transformar em criadouros do Aedes aegypti, mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya.

Uma vez por semana, os moradores devem vistoriar o imóvel e o quintal, esvaziar recipientes, lavar reservatórios e manter caixas-d’água tampadas. Calhas precisam ser desobstruídas, e o lixo deve ser mantido em sacos bem fechados. Materiais que não possam ser eliminados devem permanecer protegidos da chuva.

A dengue pode causar febre alta de início repentino, dor de cabeça, dores musculares e articulares, prostração e dor atrás dos olhos. Também podem ocorrer náuseas e manchas na pele. Gestantes, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças preexistentes precisam de atenção especial, mas qualquer pessoa com sintomas deve buscar avaliação.

Durante um quadro febril, não é recomendável tomar medicamentos por conta própria. Alguns remédios podem aumentar o risco de sangramento em casos de dengue. A conduta correta deve ser definida por um profissional de saúde. (gov.br)

Umidade e mofo podem agravar problemas respiratórios

Casas fechadas, paredes úmidas e ambientes com mofo podem piorar sintomas de asma, rinite, bronquite e outras doenças respiratórias. A situação também pode favorecer tosse, irritação na garganta, falta de ar e crises alérgicas, principalmente em crianças, idosos e pessoas que já têm problemas pulmonares.

Sempre que for seguro, os ambientes devem ser ventilados durante o dia. Roupas, colchões e móveis que permaneceram molhados precisam ser completamente secos antes do uso. Materiais com mofo intenso ou que tenham ficado em contato com água contaminada podem precisar ser descartados.

Pessoas com doença respiratória devem manter o tratamento prescrito e evitar a exposição direta ao mofo durante a limpeza. Se houver falta de ar, chiado intenso, dor no peito, lábios arroxeados ou piora rápida, é necessário procurar atendimento de urgência.

O Ministério da Saúde destaca que a umidade, o mofo, a ventilação inadequada e a aglomeração podem contribuir para o agravamento de doenças respiratórias, sobretudo em abrigos temporários e locais atingidos por enchentes. (gov.br)

Cuidados com diarreia e contaminação de alimentos

A contaminação da água e dos alimentos pode provocar diarreia, vômitos, dor abdominal e febre. Para reduzir o risco, é importante lavar as mãos antes de preparar ou consumir alimentos, depois de usar o banheiro e após o contato com lama, lixo ou animais.

Alimentos devem ser preparados com água segura e mantidos protegidos de insetos. Crianças com diarreia precisam receber líquidos com frequência, de acordo com a orientação de profissionais de saúde. A presença de sangue nas fezes, febre alta, vômitos persistentes, sinais de desidratação ou vários episódios de diarreia em um mesmo dia exige avaliação médica.

Em bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas, a desidratação pode evoluir rapidamente. Boca seca, fraqueza, tontura, pouca urina, sonolência e olhos fundos são sinais que merecem atenção.

Ferimentos e risco de tétano

Entulhos, madeiras, metais, vidros e objetos escondidos pela lama podem causar cortes e perfurações. O tétano é uma doença grave provocada por uma bactéria que pode estar presente no solo e em objetos contaminados, mesmo quando o metal não apresenta ferrugem.

Em caso de ferimento, a área deve ser lavada com água corrente e sabão, sem aplicar substâncias caseiras. A pessoa deve informar o histórico de vacinação ao procurar atendimento. A necessidade de vacina ou de outras medidas depende do tipo de ferimento e da situação vacinal.

Quando procurar atendimento

É importante buscar uma unidade de saúde após exposição à água de enchente ou lama quando surgirem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos, diarreia, tosse, olhos ou pele amarelados, manchas, sangramentos, falta de ar ou redução da urina.

Também requer atendimento imediato a ocorrência de picada de cobra, escorpião ou aranha, mesmo que os sintomas iniciais sejam leves. A vítima não deve fazer cortes, sugar o local, aplicar álcool, querosene ou outras substâncias. Se for possível sem colocar ninguém em risco, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação, mas a captura não é recomendada.

Em Coari, a população deve acompanhar os comunicados dos órgãos municipais de saúde, Defesa Civil e demais autoridades responsáveis. Durante as chuvas, prevenção, informação e procura rápida por atendimento são medidas essenciais para reduzir complicações e proteger a comunidade.